sábado, 17 de julho de 2010

O sonho - 1ª Lembrança


Eu tinha 16 anos e tive um sonho ou foi uma lembrança?...

De repente estava lá. Sentada sobre um caixote em frente a uma mesa rústica sorvendo uma sopa rala e quase insípida. Era um porão, eu acho, pois parecia um porão, velho, a luminosidade era fraca, as paredes escurecidas e gastas pelo tempo, sem nenhuma pintura, alguns móveis enjambrados, feitos de restos de caixas de madeira, ou elas mesmas como móveis, como o assento em que eu me encontrava. Era em um porto, eu sabia disto. Era dia ainda, mas um dia nublado e frio de inverno.
-Ao menos está quente! - pensava comigo mesma. Mas minha preocupação não era com a sopa, já estava acostumada àquela miséria, meu corpo franzino e magro delatava a situação, o que me preocupava é que havia uma tensão no ar...

 A minha esquerda um senhor de cabelos ralos quase todos embranquecidos e feições duras, era meu pai, à minha direita um jovem que não lembro das feições, mas eu o amava muito. Tínhamos sido criados juntos, éramos como irmãos, mas eu o amava como homem e ele a mim como mulher, embora sempre mantivéssemos a relação de forma fraterna.
Meu pai falava algo, me ative então ao que ele estava declarando.
-Quero que vocês se casem!- Ao ouvir isto me revoltei. Senti muita raiva, não pensei em aproveitar a oportunidade, não pensei em ser feliz ao lado do homem que amava, só pensava em como meu pai ousava decidir minha vida, escolher com quem deveria me casar. Eu já tinha 19 ou 20 anos, era uma mulher, poderia bem decidir o meu caminho, e com certeza não seria o que ele, meu pai, decidisse. Tinha uma revolta contra aquela pessoa que se apresentava como meu pai, uma revolta mais forte que o amor que sentia por aquele moço. E faria de tudo para afrontar a sua decisão, mesmo passando por cima de minha própria felicidade e da pessoa que eu amava.

Eu disse então, entre lábios apertados de raiva, mas passiva, um sonoro e decidido... Não!
Meu pai tentou argumentar, dizendo que faria gosto da união, pois conhecia melhor do que ninguém o homem que se casaria comigo, um moço trabalhador, honrado. O que eu poderia arranjar de melhor? Já estava mais que na hora de me casar e esta era a única opção. Mas eu tornei a dizer... -Não!
Eu pensei que ele fosse me compreender, o moço, pensei que ele fosse esperar, mas ele olhou-me chocado e muita mágoa expressou em seus olhos, eram profundos, doces e agora repletos de dúvidas e tristeza. Ele revoltou-se, ficou com raiva de mim, e não mencionou se queria ou não se casar, apenas que iria embora, que iria, dali por diante fazer seu próprio caminho. E ele foi!

Tudo escureceu...

Eu andava pela rua em um dia frio e úmido, estava doente, tossia e sentia muito frio, e fome...
Havia se passado muito tempo, bem mais de dez anos, eu e meu pai ficamos sozinhos. Meu pai estava acamado, muito doente e eu também começava a adoecer, não podia mais trabalhar. Ia pela rua com um destino em mente, reencontrar aquele moço. Uma angustia me sufocava o peito, estava passando por cima do meu orgulho por recorrer a ele após tantos anos, ele seguira seu caminho e nunca tornou a olhar pra trás. Mas eu tentava afastar este pensamento, precisava de ajuda, e não havia mais ninguém a quem eu pudesse pedir. Não sei se a decisão foi minha, pois a situação era bastante dramática, ou de meu pai, mas lá estava eu indo procurá-lo, temerosa.

Após alguns anos, depois que ele foi embora, pude bem seguir sua trajetória e sabia onde encontrá-lo. Não sei se por comentários ou jornais, eu sabia. Ele havia conseguido um emprego em uma fábrica e em pouco tempo, foi subindo de cargo. Um dia conheceu a filha do dono da empresa, ela apaixonou-se por ele. Logo começou uma carreira que decolou, mostrou-se hábil nos negócios, até chegar a uma ótima posição na administração e casar-se com a herdeira.

Algum tempo depois o dono da fábrica morreu e sua filha herdou as empresas e quem as administrava era ele, o moço que eu amava e havia rejeitado, que nunca mais vira desde aquele dia de sua partida. A história estava nítida em minha mente, não sei se toda, mas boa parte dela. Eu sabia que ele havia casado por interesse, que não a amava e o julgava mal por isto, mas não importava, eu também havia errado e isto tudo era menos importante que a vida de meu pai. Além do mais nunca havíamos lhe pedido nada, mesmo tendo sido por muito tempo a sua única família.
Eu soube, de alguma maneira, sobre uma comemoração aberta a imprensa e a sociedade, acho que em frente a uma das fábricas, onde ele estaria. E era pra lá que eu estava indo.


Ao chegar notei a multidão, jornalistas anotando palavras em seus caderninhos,  fotógrafos com aquelas câmeras fotográficas que o flash parecia uma lâmpada enorme e várias pessoas assistindo. As pessoas bem vestidas, ele estava maravilhoso em seu terno alinhado, de chapéu de abas curtas e um longo casaco de pele. Diferente de mim, o tempo lhe havia favorecido. Sorria eufórico e fazia poses abraçando e apertando a mão de um e outro.

Observava a cena, meu coração batia descompassado, após tanto tempo, em outra realidade, eu ainda o amava tanto. Desconcertei-me com o fato, não esperava ainda ter estes sentimentos. Mas eles brotaram em mim como uma fonte luminosa e quente.
Olhei pra mim mesma, roupa surrada, mal trajada para todo aquele frio e muito menos para um evento.
E agora, o que deveria fazer? Como eu poderia aparecer naquele momento na vida do homem que tinha se magoado tanto comigo. Ele provavelmente me escorraçaria, me humilharia perante toda aquela gente se eu ousasse chegar perto. E eu não lhe tiraria toda a razão.
O frio gelava-me até os ossos, o que mais me protegia, tanto do frio quanto da iminente humilhação, caso ele me reconhecesse, era estar misturada a várias outras pessoas que também estavam ali presenciando o evento e as batidas frenéticas em meu peito que chegavam a me ruborizar. Meu estômago doía,  já não sabia mais se de fome ou nervosismo... O que faria agora? Era só o que passava em minha mente e me esforçava em decidir.

Fiquei algum tempo, observando-o, incrivelmente estava feliz por ele, ele era ambicioso e havia vencido, realizado seus sonhos, mas pra mim ainda parecia ser aquela pessoa maravilhosa com quem havia convivido tanto tempo, lembrei-me de ele ter compartilhado comigo muitos de seus sonhos, eram cheios de encanto, brilho e luxo, suas palavras me deixavam alegre e por momentos, aqueles sonhos de grandeza me faziam flutuar e distanciar-me da miséria e vida sacrificada que compartilhávamos. Mas eu só ouvia e vivenciava com ele por momentos, não sonhava com ele, não tinha as mesmas ambições, os sonhos dele me preenchiam e quando se foi,  levou-os consigo e eu fiquei em minha aridez, não me permitindo sonhar jamais, preferia enfrentar a realidade. Mas a realidade é mais dura pra quem é vazio dos próprios sonhos. Pois os sonhos nos movem.

Fiquei parada ali, meio zonza com todo aquele movimento, observando-o e lembrando, era como se mais uma vez compartilhasse dos seus sonhos, me sentia mais uma vez alegre e fora da dura realidade, por alguns momentos devaneei como se eu não existisse e ao mesmo tempo estivesse lá com ele, e estava de todo o meu coração.
Baixei meus olhos da cena como que para retornar a mim mesma, precisava, devia ir embora, devia voltar e cuidar de meu pai, não sabia como, mas o faria. Se ele me visse, talvez me humilhasse, talvez me ignorasse, ou talvez nem me reconhecesse, não importava, pensei... "Estes são seus sonhos realizados, não tenho direitos sobre eles, nem sobre você. "

Tornei a levantar os olhos pra me despedir, meu coração deu um pulo, ele estava olhando diretamente pra mim, entre todas aquelas pessoas ele me reconheceu, eu fiquei rígida, não sabia se fugia, se ficava parada, meu coração quase saia pela boca. Aqueles olhos doces pareciam comovidos e surpresos. Ele começou a andar em minha direção, eu fiquei parada, pensando que talvez não fosse comigo, talvez eu devesse sair correndo, talvez eu desmaie, talvez eu morra aqui e agora...

Ele parou diante de mim abriu os braços, me acolheu entre eles e me deu o mais maravilhoso beijo de todas as minhas vidas. Lágrimas tão quentes brotavam de meus olhos, tão frios e secos a momentos atrás. Eu fui ao céu e voltei.
Enquanto isto as pessoas nos cercavam, perguntavam, quase gritavam e fotografavam. Dei-me por conta da situação, eu estava apavorada, chocada... O que estava acontecendo?

Tudo escureceu...

Estava em uma banheira, em uma casa muito luxuosa, delicados enfeites e frascos brilhantes pareciam jóias, o ar úmido exalava aromas que eu nunca tinha sentido. Um tanto encolhida, eu abraçava minhas próprias pernas, totalmente constrangida, enquanto uma moça de uniforme de empregada andava de um lado para outro, colocando sais e óleos na banheira onde eu estava, com uma feição nada amigável, um olhar de desdém. Podia jurar que ouvia seus pensamentos como se fossem palavras duras verbalizadas diretamente a mim. Ou talvez o constrangimento, o medo, diante de toda aquela situação me fizessem imaginar o que ela estava pensando.
"Quem ela pensa ser? Uma vadia recolhida da sarjeta, agora aí banhando-se de perfumes e eu ainda tenho que servir a esta criatura. Tanto tempo tenho me dedicado a esta casa, a este homem, se eu soubesse que seria tão fácil seduzi-lo, teria feito eu mesma, me entregaria a ele e quem estaria nesta banheira agora seria eu..."

Tudo escureceu...

Estava sentada a uma mesa esplendorosa, o ambiente era de luxo e muita fartura. A luz dos candelabros acentuavam o brilho dourado dos enfeites, molduras, cortinas. O ambiente parecia mágico. Ao meu lado esquerdo estava ele e à mesa estavam mais pessoas elegantemente trajadas e penteadas. Acho que eram umas 7 pessoas ou mais além de mim e do moço. Elas comiam e conversavam baixinho, de vez em quando cochichavam discretamente, seus olhos se mantinham baixos e nunca me encaravam, me olhavam diretamente apenas com o canto dos olhos. 


De repente o moço levantou-se e segurando uma taça, sorrindo alegremente anunciou... "Mandei preparar este jantar especial e queria todos aqui pois tenho algo muito importante a anunciar, eu vou me casar novamente." Dizendo isto ele tomou a minha mão e me fez levantar. Eu não sei exatamente como eu me sentia, era confuso, entre temerosa e feliz, mas pude presenciar a reprovação de todos, o silêncio dominava o ambiente, estavam todos chocados, mas calados, como se não ousassem expressar qualquer opinião. Ele continuou: "Penso que deveriam ficar felizes por mim e nos felicitar"- Seu olhar agora de alegre passou a desafiador, manteve da alegria que parecia demonstrar antes, um sorriso sarcástico, como se estivesse provocando toda aquela gente - Continuou: "E aqueles que quiserem (não estiverem contentes) podem seguir o seu caminho (sustentar-se) daqui por diante."
Aquelas palavras moveram-os de formas diferentes, alguns se levantaram prontamente e correram a nos felicitar, outro tomou alguns goles da taça a sua frente, parou por um momento como se decidisse o que fazer, mas logo levantou a taça fazendo um brinde aos noivos. Uma mulher saiu correndo da sala com a mão no rosto, outra ficou sentada, estática e de cabeça baixa, como se controlasse uma iminente fúria. Eu sorria um tanto sem graça agradecendo os cumprimentos, mas não me atrevia a falar qualquer coisa.

Surpreendeu-me o poder que aquele moço, que eu tinha conhecido na infância, de olhos tão doces e sonhos tão encantadores, tivesse tanto poder sobre aquelas pessoas e sobre toda a situação. Ele fazia o que bem entendesse e não se importava nada com o que pudessem falar ou fazer, parecia que nada poderia afetá-lo, havia uma certeza em sua postura e em sua voz que lhe davam um ar de onipotência.
Diante daquela situação comecei a pensar o que havia acontecido com ele, como se transformara tanto, ou... Talvez eu nunca o tenha conhecido verdadeiramente.
Tudo escureceu...

A impressão que tive é que havia se passado mais alguns anos, eu contava com a idade de 40, talvez um pouco mais. Algo estava errado, uma angustia tremenda apertava minha garganta e meu peito. Estava andando pela rua, havia saído de algum lugar, não sei bem se era um pequeno hospital, uma casa de caridade, um asilo ou orfanato, algo assim. Não sei se o que sentia estava relacionado ao lugar, só sei que a dor me consumia e tentava de todas as formas não chorar, estava revoltada e magoada com algo. Estava saindo da calçada e ia atravessar uma rua, havia certo tráfego, alguns carros estacionados. Mas eu estava tão absorta em minha dor que atravessei sem olhar... Subitamente fui puxada daquele corpo e fui parar não sei onde, a minha frente como um flash apresentou-se um jornal com uma manchete nitidamente escrita em outra língua, que não a portuguesa, mas não sei qual, mas a compreendia e dizia algo como : "Esposa de rico industriário morre em acidente de carro". Falava em nomes e lugares, mas disto nada lembro.

Tudo escureceu...


Sentia-me flutuando e em paz, flutuava em volta de uma grande construção, não via nem sentia meu corpo, na verdade o sentia como se sente um sussurro, quase imperceptível. Cheguei ao topo e lá na cobertura, do que parecia ser um pequeno castelo, estavam um senhor de cabelos muito brancos, um menino de mais ou menos 3 anos e uma menina de mais ou menos 8 anos. Reconheci o senhor, era meu pai. Uma tristeza profunda começou a me tomar. Meu pai olhava o mar com seu rosto sério, mas enternecido, o tempo havia suavizado sua, sempre tão dura, expressão facial. O menino segurava sua mão e olhava para o chão, distraído com algo. A menina voltada para o meu lado, olhava através de mim, estava com uma expressão muito triste. Meu coração encheu-se de amor por aquelas pequenas criaturas, eu as amava muito, mas não sabia nem quem eram. A menina começou a chorar, quietinha, via as lágrimas escorrerem por seu rostinho, senti que comecei a chorar também. De repente a menina olha diretamente pra mim e diz: - Mamãe!- Baixinho como um suspiro, e deixava as lágrimas correrem. Aquela palavra fazia um sentido que eu não conhecia na vida real e me desesperei a chorar, não queria partir, como poderia partir?...Eram meus filhos!

E tudo escureceu somente mais uma vez...


Acordei com o rosto molhado e ainda chorando convulsivamente, chorei algum tempo deitada e uma saudade dolorida me tomava por completo. Naqueles primeiros momentos em que eu retornava daquela experiência, a emoção era vívida e latente e as duas diferentes realidades me davam uma sensação de confusão sobre quem eu realmente era e de como era minha vida. O que era real e o que era sonho?
Estava sozinha em casa e não havia quem me orientasse, a quem falar sobre tudo  o que me acontecera? Não houve quem pudesse me dar uma resposta por muito tempo.
Havia revivido flashs de uma vida inteira, os momentos mais marcantes, as situações mais dramáticas de felicidade e tristeza, decisões importantes que davam novo rumo àquela vida, por quê?
Há muitas questões que nunca se desvendaram para mim, lacunas que não revivi, talvez por que não sejam importantes, as lembranças se focaram na minha reação nas situações, nas decisões mais importantes, meus erros, meus dramas, o restante é palco e figurantes de uma vida que passou...

O que mais me impressionou e emocionou nesta experiência foi ter a exata emoção de ter que partir deixando os filhos, o amor que senti foi verdadeiro, a dor da saudade foi verídica para o meu coração, e eu só fui ter uma filha 24 anos depois desta experiência, então pude confirmar o que é sentir amor materno. Ainda me emociono quando lembro  daquela despedida tão dolorida.
Eu já era bastante curiosa sobre os assuntos da espiritualidade, aquela experiência me instigou mais a buscar conhecimentos e respostas.
O tempo foi passando e eu aprendendo, mas a história é nítida em minha mente e tornou-se um de meus parâmetros de autoconhecimento.


Muitos podem dizer que foi apenas um sonho, nosso cérebro é tão misterioso, e na verdade foi um sonho, um sonho bastante incomum, repleto de lembranças que acredito serem de uma vida passada.
Uma das coisas interessantes deste sonho, é o fato de que tudo parecia fazer sentido pra mim, eu era aquela pessoa, eu vivi aqueles dramas com ela, menos a dor do acidente e da morte, deste momento fui poupada. Outra coisa é que, em alguns momentos, parecia que eu podia ler o pensamento das pessoas, era como se elas estivessem me falando o que exatamente estavam pensando, isto me deixava confusa entre o que pensavam e falavam realmente. Claro que não acredito que pudesse fazer isto, ler pensamentos, era mais como uma impressão ou noção redobrada do que percebia das situações e a expressão das pessoas, a minha própria leitura das situações e pessoas de forma intensificada como se revisse um filme.

Uma das formas de tornar esta experiência mais útil é tentar não julgar as situações e pessoas, fugir da primeira impressão negativa de certas situações, assim tendo uma nova perspectiva. E se nos via-mos como vítimas e os outros como algozes, ou ao contrário, ao relembrar sem julgar podemos chegar mais perto da verdade, e não apenas nos basear em uma única impressão, um único fragmento, trazendo-nos maior compreensão da própria vida como um todo, da eternidade.

Bem, esta é minha primeira lembrança que compartilho aqui com todos. Mas tenho muito mais a compartilhar.


quarta-feira, 7 de julho de 2010

Sonhos, Devaneios ou Lembranças de Vidas Passadas?


Imagem: Retirada da internet, se alguém souber a autoria por favor me comunique.

Agora é o momento, embora eu não saiba bem porque, de compartilhar minhas próprias histórias. Há muito tempo venho pensando nisto e então, finalmente, decidi fazê-lo.
Muitas pessoas já o fizeram, li muitos livros sobre histórias assim. Imaginação ou realidade as histórias existem. Eu pessoalmente acredito que a maioria dos relatos sejam lembranças, outros relacionam tal evento com memórias ancestrais que carregamos em nosso código genético, outros ainda tem outras teorias mais complexas, a mais simples e natural pra mim é que são memórias de vidas passadas.

A ciência tenta explicar, algumas religiões tentam afirmar, quanto as minhas experiências eu acredito que sejam lembranças, mas não posso dizer que seja esta, uma verdade absoluta. Pode ser que algum canto de meu cérebro seja tão criativo que manifeste através destas histórias algum problema ou drama pessoal a ser resolvido... Sei lá!... Freud explica! Eu não estou aqui para explicar nada, apenas pra compartilhar estas minhas experiências. Eu decido o que é pra mim, quem ler, decide o que é pra si mesmo. Meu objetivo é compartilhar é abrir uma reflexão a respeito do assunto. Incluir entre os muitos relatos, também as minhas histórias. Talvez outras pessoas se manifestem e queiram também compartilhar suas histórias, ficarei feliz em postá-las aqui com as devidas referências.

A primeira experiência ocorreu-me espontaneamente em um sonho, as seguintes derivaram de praticas de concentração e visualização, todavia, apenas o primeiro momento é controlado, depois tudo segue-se de forma espontânea e totalmente fora do controle mental ou emocional.
Muitas vezes as praticas não davam seguimento a uma lembrança, mas tão somente para um relaxamento ou outras experiências situadas no tempo presente ou atemporais.

Mas, de que me serve lembrar o passado? 

Muitas pessoas utilizam de regressão para resolver fobias e traumas e muitas querem fazer por curiosidade. A regressão comumente vai até a fase intrauterina da vida atual, mas se necessário uma pessoa pode ir mais longe no passado para resolver a causa de um determinado problema.

Há muitos relatos que realmente podem ser fantasiosos, é comum vermos declarações de pessoas que dizem ter sido Tutancamon, Sheakespeare ou Leonardo da Vinci, etc. Bem, a verdade é que somos melhores agora do que fomos no passado. Mais experientes, mais resolvidos, com menos problemas à superar do que tínhamos nas outras vidas. A regra é evoluir, as experiências da vida nos trazem isto, aprendemos à duras penas, pela dor, miséria, solidão. E posição social não tem muito a ver com isto, pois talvez eu necessite superar outras coisas, provar ser forte apesar das adversidades e podem acreditar, há adversidades na vida do mais rico e do mais pobre, do mais belo e do mais feio, do que tem um corpo perfeito ou está com alguma deficiência. Há adversidades na vida humana, pois estamos aqui justamente para superá-las e assim nos tornarmos seres melhores. 

Uma pessoa se mostra evoluída quando apesar dos problemas mantém o equilíbrio, a alegria de viver, demonstra força e paz interior e quando se dá conta de que viver é servir com humildade, ter uma existência útil à vida como um todo, pois harmoniza-se com a sábia vontade divina. Temos a essência de Deus dentro de nós e evoluímos quando, cada vez mais, o manifestamos, pois é assim que Deus age, através da vida e das criaturas viventes neste plano e em outros.

Para mim teve significativa importância lembrar e perceber o quanto evoluí e principalmente o quanto ainda tenho que evoluir.

Compartilharei de algumas histórias que postarei seguindo este marcador..."Sonhos ou Lembranças?"  Compartilharei também de algumas técnicas de regressão que adaptei com êxito.



"Há mais mistérios entre o céu e a Terra do que supõe a nossa vã filosofia"
(William Sheakespeare em sua notável peça Hamlet)


domingo, 20 de junho de 2010

Recordar


Sê como o Sol para a Graça e a Piedade.
Sê como a noite para encobrir os defeitos alheios.
Sê como uma corrente de água para a generosidade.
Sê como a morte para o ódio e a ira.
Sê como a Terra para a modéstia.
Aparece tal como és.
Sê tal como pareces.

Se pudesses libertar-te, por uma vez, te ti mesmo,
o segredo dos segredos se abriria para ti.
O rosto do desconhecido, oculto além do universo,
apareceria no espelho da tua percepção.

Na realidade, tua alma e a minha são o mesmo.
Aparecemos e desaparecemos um com o outro.
Este é o verdadeiro significado das nossas relações.
Entre nós, já não há nem tu, nem eu.

O vale é diferente, acima das religiões e cultos.
Aqui, em silêncio, baixa a cabeça.
Funde-te na maravilha de Deus.
Aqui não há lugar para religiões nem cultos.

Há uma Alma dentro de tua Alma. Busca essa Alma.
Há uma jóia na montanha do corpo. Busca a mina desta jóia.
Oh, sufi, que passa!
Busca dentro, se podes, e não fora.

No amor, não há alto nem baixo,
má conduta nem boa,
nem dirigente, nem seguidor, nem devoto,
só há indiferença, tolerância e entrega.


Whispering Moments by Hazrat Salaheddin Ali Nader Angha

segunda-feira, 19 de abril de 2010

Abwoon (Our Father) - Lisa Gerrard




O quão profundo pode ser a contribuição de alguém do outro lado do mundo em sua vida?
Muitos sabem que algo assim pode mover sua vida a acontecimentos internos e externos diversos. Cada um pode pensar por si mesmo em diversos exemplos. Estou aqui para dar o meu exemplo! Um exemplo musical ou vibracional.

Não sou crítica de música ou coisa assim, mas como um amigo já me falou, tenho certa aptidão para ver por trás de alguns véus, pra fazer uma releitura de significados.  Não foi raro, em diversas ocasiões, saber o que dizia a letra de a alguma música sem traduzir a letra apenas sentindo. Sigo os sinais daquilo que sinto, e o sentir é amplo pra todos, corpo, mente, coração, espírito, embora cada um tenha um canal, dentre os 5 sentidos existentes, mais desenvolvido, alguns até tem o 6º.  O meu sentir sempre busca o que está por trás do véu... buscar um sentido além do aparente...

Para quem não conhece vim apresentar uma cantora com a voz de "outro mundo", e tome como livre o significado da metáfora. A maioria já ouviu sua voz, e se emocionou. Sua magnífica voz ecoou em algumas trilhas sonoras de filmes bem conhecidos como: Gladiator, Whale Rider (Encantadora de Baleias), Constantine; e alguns nem tão conhecidos no Brasil como: The Insider, A Thousand Roads e muitos outros.


Não pensei tanto em apresentá-la, fazendo referencia a sua origem e historia isto se pode conseguir em outras fontes, deixarei algumas por aqui. Mas pensei na pergunta "O quão profundo pode ser a contribuição de alguém do outro lado do mundo em sua vida?" e o quão benéfico é ser grata e passar adiante o que faz bem, compartilhar um pouco de mim tendo ela como referencia ou compartilhar um pouco dela através do meu sentir.

Conhecedores de música falam sobre sua voz profunda e assustadora de contralto (classificação vocal rara) e do expressivo alcance agudo como mezzosoprano,  eu ouço e quero falar da mulher que consegue expressar em sua voz a conexão que se faz entre o homem e Deus,como a oração,ou a inspiração.

Até chegar aqui e escrever sobre isto observei e senti algumas experiências que acabaram por me fazer cristalizar este momento de expressão. Sempre que ouvia suas músicas e deixava que aquela voz vibrasse em meu ser, eu sentia que estava compartilhando um momento de ligação dela com Deus, sentia que ela me inspirava a orar e fazer parte desta ligação, consigo colocar agora este sentir em palavras, mas antes só sentia.

Algumas vezes amigos de gostos musicais diversos ouviram em minha casa ou no trabalho, não foi intencional, não estava tentando impor meu gosto musical, eu já estava escutando e a música fez parte do cenário da conversa, os comentários foram diversos, de aprovação ou desaprovação, do tipo "Ao ouvir esta voz, esta música, se eu fechar os olhos, tenho uma sensação muito familiar que não consigo descrever, é uma ligação com algo"; "Hei! Dá pra mudar a música? Eu já estou começando a ver espíritos”.

Sentia curiosidade a respeito da sensação, de estar em oração, então pesquisei algumas letras, acho que na época que pesquisei ela ainda não era muito pop e única música que consegui uma tradução foi de Now We Are Free, do filme Gladiador, fiquei um tanto  decepcionada com o que dizia a letra, não tinha muito a ver com o que eu imaginava, por um bom tempo desisti de tentar entender o que ela dizia e apenas sentir, pois isto me dizia mais que palavras. 


Hoje, como sempre, após ter inspiração sobre determinado assunto, ainda busco mais informações através de pesquisas e assim descobri que parece não haver uma tradução desta música, pois o que ela canta são vocalizações de livre inspiração aliada a uma linguagem que ela mesma criou e foi desenvolvendo desde os 12 anos de idade,  e que denomina como uma linguagem pra falar com Deus...

Até que em fim algo fez sentido...


Mas havia agora também outras traduções, e uma música que me traz muito esta sensação de ligação  é "Abwoon",  e já não fiquei tão surpresa em saber que é a oração mais conhecida no mundo expressa na voz  e na arte de Lisa Gerrard a voz que expressa  na voz a ligação com o divino, pois esta é a arte por trás da arte, e em mim ao ouví-la, é realmente isto que desperta, mas acho que é algo muito pessoal, como as diferentes reações que meus amigos tiveram, pois cada um tem sua própria ligação com o divino, sua espiritualidade que pode parecer ser amorosa, intuitiva, apaixonada, misteriosa, sombria, luminosa, afinal  é a sua .

Então...  O quão profundo pode ser a contribuição de alguém do outro lado do mundo em sua vida? 
O quão profundo você pode mergulhar em si mesmo e descobrir-se, pois os sinais, as fontes estão aí pelo mundo. O mundo externo é puramente simbólico, mas nele estão chaves para abrir portas do mundo interno. A Arte em si é a expressão das conexões do mundo externo e interno, e todos somos artistas aprendendo a compartilhar.

A arte de Lisa está sendo reconhecida, talvez um dia a minha, seja ela qual for, pois ainda estou me descobrindo, a sua, possam se desenvolver e também brilhar. É muito possível e muito provável. Afinal temos todo o tempo do mundo, mais ou menos a Eternidade.

Aqui deixo a letra da música Abwoon e sua tradução e se você quiser curtir mais e talvez saber mais sobre o que estou dizendo, ouça a música de Lisa Gerrard.

 
 Abwoom

Abwoom d,bwahmaya 

Nethqadash shmakh 

Teytey malkuthakh 

Nehwey tzevyanach aykanna d'bwahmaya aph b'arha 

Hawvlan lachma disunqanan yaomana 

Washboqlan khaubayn aykana daph khan shbwoqan l'khayyabayn 

Wela tahlan l'nesyuna ela patzan min bisha 

Metol dilakhie malkutha wahayla wateshbukhta l'ahlam almin 

Ameyn



Abwoom (Tradução

Pai Nosso

Pai Nosso que estais no céu 

Santificado pelo teu nome 

O Reino do Amanhã 

Se a Tua vontade na terra como no céu 

Dá-nos hoje o nosso pão de cada dia 

E perdoa-nos as nossas dívidas, assim como nós perdoarmos aos nossos devedores 

E não nos deixes cair em tentação, mas livrai-nos do mal 

Porque teu é o reino e o poder e a glória para sempre. 

Amém.

Interpretação: Lisa Gerrard


sábado, 7 de novembro de 2009

Ira Vislumbrada




Na rusga da dor intensa que invade o trôpego coração
Acelera desentupindo as artérias do medo
Torcendo as fibras cristalizadas
Desferindo contra o peito seu pulso violento
O germe acorda e evoca poder
Desabrocha suas rubras pétalas
Vocifera a desordem
Intoxica o invólucro da medula
A carne treme consternada
As garras gestam um desejo crescente
A saliva envenenada corrompe a palavra
As lágrimas ácidas rompem trincheiras amargas
O olhar explode em mil cores quentes e viscosas
Sentidos vermelhos e brilhantes de cólera...
Como o reflexo da adaga sob a sanguínea lua.
Nua, a alma aprisionada se angustia
Debate-se entre paredes do casulo da raiva
Verme faminto é a ira que anima o ego pútrido
É a imagem vislumbrada pelos olhos cristalinos da consciência
A faísca é um sinal!
A catarse o final! 
Observo-me...


quinta-feira, 15 de outubro de 2009

Olhos de Poeta... [A Complicada Arte de Ver]


Angel Touch - Lylias


Ela entrou, deitou-se no divã e disse: "Acho que estou ficando louca". Eu fiquei em silêncio aguardando que ela me revelasse os sinais da sua loucura. "Um dos meus prazeres é cozinhar. Vou para a cozinha, corto as cebolas, os tomates, os pimentões _é uma alegria! Entretanto, faz uns dias, eu fui para a cozinha para fazer aquilo que já fizera centenas de vezes: cortar cebolas. Ato banal sem surpresas. Mas, cortada a cebola, eu olhei para ela e tive um susto. Percebi que nunca havia visto uma cebola. Aqueles anéis perfeitamente ajustados, a luz se refletindo neles: tive a impressão de estar vendo a rosácea de um vitral de catedral gótica. De repente, a cebola, de objeto a ser comido, se transformou em obra de arte para ser vista! E o pior é que o mesmo aconteceu quando cortei os tomates, os pimentões... Agora, tudo o que vejo me causa espanto."


cebola


Ela se calou, esperando o meu diagnóstico. Eu me levantei, fui à estante de livros e de lá retirei as "Odes Elementales", de Pablo Neruda. Procurei a "Ode à Cebola" e lhe disse: "Essa perturbação ocular que a acometeu é comum entre os poetas. Veja o que Neruda disse de uma cebola igual àquela que lhe causou assombro: 'Rosa de água com escamas de cristal'. Não, você não está louca. Você ganhou olhos de poeta... Os poetas ensinam a ver".



ruby eye - ftourini


Ver é muito complicado. Isso é estranho porque os olhos, de todos os órgãos dos sentidos, são os de mais fácil compreensão científica. A sua física é idêntica à física óptica de uma máquina fotográfica: o objeto do lado de fora aparece refletido do lado de dentro. Mas existe algo na visão que não pertence à física.



bokeh eye - ftourini


William Blake sabia disso e afirmou: "A árvore que o sábio vê não é a mesma árvore que o tolo vê". Sei disso por experiência própria. Quando vejo os ipês floridos, sinto-me como Moisés diante da sarça ardente: ali está uma epifania do sagrado. Mas uma mulher que vivia perto da minha casa decretou a morte de um ipê que florescia à frente de sua casa porque ele sujava o chão, dava muito trabalho para a sua vassoura. Seus olhos não viam a beleza. Só viam o lixo.



Deadly red - ftourini


Adélia Prado disse: "Deus de vez em quando me tira a poesia. Olho para uma pedra e vejo uma pedra". Drummond viu uma pedra e não viu uma pedra. A pedra que ele viu virou poema.



silver moon - ftourini


Há muitas pessoas de visão perfeita que nada vêem. "Não é bastante não ser cego para ver as árvores e as flores. Não basta abrir a janela para ver os campos e os rios", escreveu Alberto Caeiro, heterônimo de Fernando Pessoa. O ato de ver não é coisa natural. Precisa ser aprendido. Nietzsche sabia disso e afirmou que a primeira tarefa da educação é ensinar a ver. O zen-budismo concorda, e toda a sua espiritualidade é uma busca da experiência chamada "satori", a abertura do "terceiro olho". Não sei se Cummings se inspirava no zen-budismo, mas o fato é que escreveu: "Agora os ouvidos dos meus ouvidos acordaram e agora os olhos dos meus olhos se abriram".



Gold eye - ftourini


Há um poema no Novo Testamento que relata a caminhada de dois discípulos na companhia de Jesus ressuscitado. Mas eles não o reconheciam. Reconheceram-no subitamente: ao partir do pão, "seus olhos se abriram". Vinícius de Moraes adota o mesmo mote em "Operário em Construção": "De forma que, certo dia, à mesa ao cortar o pão, o operário foi tomado de uma súbita emoção, ao constatar assombrado que tudo naquela mesa _garrafa, prato, facão_ era ele quem fazia. Ele, um humilde operário, um operário em construção".



Peacock eye in love - ftourini


A diferença se encontra no lugar onde os olhos são guardados. Se os olhos estão na caixa de ferramentas, eles são apenas ferramentas que usamos por sua função prática. Com eles vemos objetos, sinais luminosos, nomes de ruas e ajustamos a nossa ação. O ver se subordina ao fazer. Isso é necessário. Mas é muito pobre. Os olhos não gozam... Mas, quando os olhos estão na caixa dos brinquedos, eles se transformam em órgãos de prazer: brincam com o que vêem, olham pelo prazer de olhar, querem fazer amor com o mundo.



Frozen Star - ftourini


Os olhos que moram na caixa de ferramentas são os olhos dos adultos. Os olhos que moram na caixa dos brinquedos, das crianças. Para ter olhos brincalhões, é preciso ter as crianças por nossas mestras. Alberto Caeiro disse haver aprendido a arte de ver com um menininho, Jesus Cristo fugido do céu, tornado outra vez criança, eternamente: "A mim, ensinou-me tudo. Ensinou-me a olhar para as coisas. Aponta-me todas as coisas que há nas flores. Mostra-me como as pedras são engraçadas quando a gente as têm na mão e olha devagar para elas".



rainbow eye -ftourini


Por isso _porque eu acho que a primeira função da educação é ensinar a ver_ eu gostaria de sugerir que se criasse um novo tipo de professor, um professor que nada teria a ensinar, mas que se dedicaria a apontar os assombros que crescem nos desvãos da banalidade cotidiana. Como o Jesus menino do poema de Caeiro. Sua missão seria partejar "olhos vagabundos"...



Eye love d you -ftourini


Rubem Alves: A complicada arte de ver

Rubem Alves, 71, educador, escritor. Livros novos para crianças e adultos-crianças: "Os Três Reis" (Loyola) e "Caindo na Real: Cinderela e Chapeuzinho Vermelho para o Tempo Atual" (Papirus).


sábado, 22 de agosto de 2009

Saliva


tudo foi perdido

evaporado

tudo ficou no passado seco,

esturricado

todas as trocas de fluídos

com essa mulher

tudo evaporado

no calor do corpo que transforma em vapor

até mesmo a prudência

e sobretudo os pudores

também todos evaporados

quantos decalitros de saliva

essa mulher me dedicou?

todos eles, gota por gota,

evaporados

como evaporou o nosso amor


Edu Beckandroll



quarta-feira, 4 de março de 2009

PRÊMIO Symbelmine


Estou muito feliz e lisonjeada. Devaneios de Mulher acaba de ser agraciado com o Prêmio Symbelmine (Não-Me-Esqueças), um selo criado em Novembro de 2008 pelo internauta Maegin, do blog Patio de los Senescales, com a intenção de promover a confraternização e reconhecimento entre os blogueiros.
As symbelmines são flores, que em Português são chamadas de miosótis, também conhecidas como ”não-me-esqueças” em vários idiomas: non-ti-scordar-di-me em italiano, forget-me-not em inglês, no-me-olvides em espanhol, etc.
São várias as formas de se explicar a origem do nome destas belas flores, e são diversas as lendas e histórias sobre os miosótis. Em uma delas, conta-se que o nome teria sido dado por Adão, ainda no Éden, que, ao nomear as flores do jardim, esquecera desta e, mais tarde, ao constatar que essa planta havia sido esquecida, deu-lhe então o nome de não-me-esqueças como forma de compensação por seu esquecimento.
A forma das flores, com seus reduzidos tamanhos, sugerem simplicidade, humildade e união como condições acima de interesses materiais. Presentear com essa planta pode representar uma bela declaração como, por exemplo: “minha admiração por ti é sincera”.


O Prêmio Symbelmine é como uma "corrente do bem" entre blogueiros: você recebe um Symbelmine como reconhecimento de alguém e retribui, da mesma forma, atribuindo o prêmio a outros. Devaneios de Mulher foi indicado ao prêmio por Anna Geralda Vervloet Paim do blog DE SOMBRAS E DE LUZ , a quem agradeço imensamente.

São regras para a premiação:


1. Eleger 7 blogs que, por sua qualidade ou afinidade, tenham conseguido estabelecer um vínculo que você deseja reforçar e premiar com um Symbelmine - e notificar seus eleitos.


2. Publicar um post mostrando o prêmio e as regras, citar o nome do blog que lhe premiou e indicar seus eleitos.


3. Exibir o selo do prêmio em seu blog (opcional).Neste caso copie daqui e coloque no seu blog.


Abaixo - em ordem alfabética - estão aqueles a quem faço minha homenagem e ofereço meus buquês de symbelmines. Meus critérios de premiação vão para blogs pessoais de pessoas que admiro e que expõe sua arte, pensamentos e opiniões de uma maneira muito pessoal.
Aceitem minha oferta sincera de symbelmines




Parabéns à todos!

quinta-feira, 12 de fevereiro de 2009

O que a mulher realmente quer ?


Um dos contos do Rei Arthur ilustra uma profunda lição sobre o modo como a energia feminina pode ser resgatada para a vida moderna. Retornamos à dimensão mítica da vida para aprender sobre nossa dinâmica psicológica interior.

Em geral, os contos arthurianos são a apresentação de uma nova idéia de cavalaria e nobreza, mas recontam apenas uma libertação parcial da feminilidade de seu cativeiro. Um dos contos, porém está muito adiante de seu tempo (ou estamos muito atrasados em nossa compreensão?) e conta a nobre história de uma transformação da escuridão em luz.

É a história de Arthur e a enigmática pergunta: “ O que a mulher realmente quer ?


O Rei Arthur, em sua juventude, foi pego caçando em propriedade alheia, nas florestas de um reino vizinho e foi apanhado pelo rei. Ele poderia muito bem tê-lo matado imediatamente, pois era essa a punição por transgredir as leis de bens e propriedades. Mas o rei vizinho se sentiu tocado pela juventude e pelo caráter cativante de Arthur. Ele ofereceu liberdade a Arthur se conseguisse encontrar a resposta a uma pergunta muito difícil, em um ano. A pergunta: “O que a mulher realmente quer?”

Isso desconcertaria o mais sábio dos homens e pareceu intransponível para o jovem. Era melhor que ser enforcado e, assim, Arthur voltou para casa e começou a perguntar isso a todos com quem se encontrava.

Rameira e freira, princesa e rainha, sábio e bobo da corte - perguntou a todos, mas ninguém conseguiu oferecer uma resposta convincente. Cada um deles, entretanto, advertiu-o de que existia alguém que saberia: a velha bruxa. O custo seria alto, pois era proverbial no reino que a velha bruxa cobrava por seus serviços preços que arruinaria qualquer um.


Chegou o último dia do ano e Arthur finalmente foi levado a consultar a velha megera. Ela concordou em fornecer uma resposta, que iría satisfazer o rei acusador, mas era necessário discutir antes o preço.

O preço? Casamento da velha bruxa com Gawain, o mais nobre cavaleiro da Távola Redonda e o amigo de infância mais íntimo de Arthur. Arthur olhou a velha bruxa com horror; ela era feia, tinha um único dente, exalava um odor que faria uma cabra adoecer, emitia sons obscenos e era corcunda. Nunca houve uma visão mais repugnante!

Arthur intimidou-se com a perspectiva de pedir que seu amigo de infância assumisse esse terrível fardo por ele. Mas Gawain, quando soube da barganha, julgou que isso não era muito para dar a seu companheiro e para preservar a Távola Redonda.


O casamento foi anunciado e a velha megera ofereceu sua infernal sabedoria: O que a mulher realmente quer? Quer soberania sobre sua própria vida.

Todos souberam, no instante em que ouviram isso, que a grande sabedoria feminina tinha sido enunciada e que Arthur estaria salvo. O rei acusador de fato deu a Arthur a sua liberdade quando ouviu a resposta.


Mas o casamento! Toda a corte estava lá, e ninguém mais dividido entre o alívio e a angústia que o próprio Arthur. Gawain foi cortês, gentil e respeitoso; a velha bruxa externou seus piores modos, devorou a comida de seu prato sem ajuda dos talheres, produziu barulhos e odores hediondos. Nunca antes a corte de Arthur tinha se sujeitado a tal constrangimento. Mas prevaleceu a cortesia e o casamento se realizou.

O casamento poderia ter sido pior, de acordo com o conto, e nós deveríamos descer a cortina de circunstâncias sobre as condutas, exceto por um único e maravilhoso momento. Quando Gawain estava preparado para o leito nupcial e esperava que sua noiva se reunisse a ele, ela surgiu como a mais adorável donzela que um homem poderia desejar ver!

Gawain, assombrado, perguntou o que tinha acontecido. A donzela replicou que porque Gawain tinha sido cortês com ela, ela mostraria a ele seu lado hediondo metade do tempo e seu lado gracioso na outra metade do tempo. Qual dos dois ele escolhia para o dia e qual para a noite?

Essa é uma questão cruel a se colocar para um homem e Gawain fez um rápido cálculo. Ele queria uma adorável donzela para exibir durante o dia, para que todos os seus amigos pudessem ver e uma megera hedionda à noite, na privacidade de seu quarto; ou queria uma megera hedionda durante o dia e uma adorável donzela nos momentos íntimos de sua vida?

Homem nobre que era, Gawain replicou que deixaria a donzela escolher. Ao que ela anunciou que seria uma agradável donzela para ele tanto de dia quanto à noite, já que ele a tinha respeitado e dado soberania sobre sua própria vida.



Se a feminilidade foi forçada ao seu modo hediondo, o melhor que um homem pode fazer é manter o respeito e cortesia. Esta é a mágica da transformação que, mais rapidamente do que qualquer outro meio,devolverá o feminino-tornado-sombrio para sua verdadeira beleza.

Esse conto sobre a dinâmica da energia feminina interior é tão importante para os homens que tentam se relacionar com seu lado feminino, como para as mulheres que tentam exteriorizar o núcleo de sua identidade. E é um princípio que não deveria ser perdido nos relacionamentos externos homem-mulher.



Com carinho, Sonia Milano

Trecho do livro: Mistérios do Feminino

Texto Retirado do Site: Somos Todos Um

Pinturas: John Willian Waterhouse