sábado, 31 de dezembro de 2005


Moinhos rangendo pelas forças dos ventos

Licores amargos

Jardins esmagados

Adágios musicais

Cascas de bananas deslizantes

Rasteiras constantes

Olhos críticos

Lágrimas cítricas

Ouvidos surdos

Narizes trancados

Bocas estagnantes

Jogos perdidos

Águas e mentes poluídas

Ares de atitudes frias

Notas desafinadas sem compasso, sem tempo

Pássaros de asa quebrada

Borboletas sem flor, sem pouso

Fadiga sem repouso

Dia de frio ao relento

Cachorro sem dono, sarnento

Ingratidão

Amores perdidos

Amigos roubados

Solidão

Filhos esquecidos, ignorados

Sonhos abandonados

Vestidos rasgados

Vestígios apagados

Tecidos remendados

Peles ardidas

Corações sofridos

Promessas falsas, sem razão

Mares revoltos

Lamentos

Prantos e dores

Impaciência, sofreguidão

Jantar queimado

Vinhos avinagrados

Esquecimentos

Decepção

Frutas podres

Inversão de valores

Em vez de SIM!... NÃO!

Medos revoltos

Confusão

Enganos mentiras

Ilusão

Emoções em tiras

Oásis secos

Gargantas áridas

Trágicos arabescos

Traição

Sementes mortas

Vidas sem perpetuação

Falta de ar

Maré vermelha

Sensação provinda de sentimento

Sentir da tristeza a imensidão

Sei lá, talvez tudo que hoje veja tem este ar de desilusão

Um dia sem fé nem esperança

Um dia de perda de confiança

Desalento

As mãos viscosas das sombras

Vão se na contagem regressiva do tempo

Deste ano que finda

Adeus 2005

Já vais tarde!

Fica teu ensinamento.

Que o ano que desponta seja mais propício.

As vezes sentimos a vida assim...

Com o título, a identificação

Somente no fim


"Quem olha para fora sonha: quem olha para dentro acorda"
(Jung)

Isabel Batista

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